quinta-feira, 30 de abril de 2009

Urgente preservar a Memória

Foi uma noite memorável. Quantas vezes duas centenas de pessoas se reuniram para conversar sobre as suas raízes, as ruínas de um tempo que marcou as suas vidas?

Aconteceu a 18 de Abril de 2009, na Cripta da Igreja Matriz de S. Pedro da Cova. Quase dois séculos depois da abertura das minas de carvão que projectaram este lugar recôndito dos arredores da cidade do Porto, encaixado num vale de íngremes montanhas, na história económica e social da Penísula Ibérica, uma assistência entusiasmada aplaudiu o Manifesto em Defesa do Património Histórico-Cultural de S. Pedro da Cova e assistiu, comovida, ao documentário que Rui Simões realizou nos anos setenta sobre as minas de carvão e os que nela trabalharam.

No final, e antes de João Carneiro, na flauta, bem acompanhado à viola, e Vasco Balio, com a sua guitarra e harmónica, nos terem deliciado com interpretações de chorinhos brasileiros e canções da sua autoria, o investigador Rui Fonseca falou da importância da preservação do património arqueológico de S. Pedro da Cova e o Director do Arquivo Nacional da Torre da Tombo, Silvestre Lacerda, evocando o Dia Internacional dos Museus, insistiu na imprescindibilidade da criação de um museu territorial que preservasse, não apenas o Cavalete de S. Vicente, mas também todo o espaço e testemunhos do complexo mineiro.





CS & EVV

quarta-feira, 11 de março de 2009

MULHERES MINEIRAS DE S. PEDRO DA COVA - Exposição fotográfica


Com base na obra de Maria Lamas, As mulheres do meu país, a Biblioteca da Escola Secundária de S. Pedro da Cova e a Junta de Freguesia promovem uma mostra fotográfica inspirada na recolha efectuada por aquela autora na primeira metade do século XX, nas Minas de S. Pedro da Cova. Maria Lamas percorreu o país de Norte a Sul, incluindo Açores e Madeira. Deslocou-se às mais remotas aldeias, entrevistou e fotografou as mulheres, os seus trajes, os seus rostos marcados pelas agruras de um trabalho pesado e parcas condições de vida.





Nestas fotos que retiram do silêncio as vozes de Maria Tagarela e outras trabalhadoras das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova, as mulheres britam o carvão, transportam-no à cabeça e empurram enormes e pesadas vagonetas, como se vê na magnífica fotografia que se segue e que pode ser apreciada, entre muitas outras, até 13 de Março, no átrio da Escola Secundária de S. Pedro da Cova.

EVV

sexta-feira, 6 de março de 2009

"O que resta das minas de S. Pedro da Cova não pode desaparecer!"


Jornal de Notícias, 6 de Março de 2009

(clique na imagem para ampliar)

CS

domingo, 1 de março de 2009

O que pesa é o silêncio






Na capa da revista Fugas do Público de ontem, 28 de Fevereiro, vinha uma imagem de um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial com o título Turismo Trágico. Não pude, em certo sentido, deixar de fazer uma associação com as Minas de S. Pedro da Cova. Primeiro porque, como vamos ouvindo dos depoimentos que recolhemos, “ se a mina matava a fome a muita gente, também era local de sofrimento pelas circunstâncias duras em que as pessoas trabalhavam”; segundo, pelas condições actuais de degradação em que o complexo mineiro se encontra e que não deixam de sublinhar o quão trágico é para um povo a perda de memória do seu passado.

Se quiser arriscar um turismo trágico cá dentro, visite as antigas instalações das Minas de S. Pedro da Cova, a 8 quilómetros do Porto, e pode desfrutar de emoções de monumentalidade, de surpresa e de pesar. Tudo isso ligado ao trabalho e à produtividade que é o que se continua a pedir aos portugueses.

Texto e foto: CS

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009




Manifesto

A identidade histórica e social da cidade de Gondomar não se completa sem um olhar atento sobre a actividade da extracção mineira desenvolvida nas minas de S. Pedro da Cova, ao longo dos séculos XIX e XX.

Durante décadas e décadas, a vila de S. Pedro da Cova foi ponto de confluência de pessoas e de anseios marcados indelevelmente nos rostos e nas mentes pela experiência de vida que o trabalho mineiro representava. Basta conversar com algum trabalhador ou trabalhadora das Minas, dos que ainda sobrevivem, para perceber a riqueza de histórias, boas ou más, que fazem parte do património imaterial que pouco a pouco se vai perdendo.

Se, por um lado, não podemos impedir o curso natural de quem por lá viveu, amou e sofreu, e o estudo da realidade que as Minas criaram é tarefa individual de investigação de quem deseja preservar memórias, interpretar factos ou desvelar a história; por outro, é função colectiva defender o património material em que essa mesma realidade se alicerçou, não só para a compreensão do passado mas sobretudo para a construção do futuro.

Não deixa de ser consternador perceber o desleixo e o abandono a que foi votado o complexo arquitectónico mineiro desde o encerramento das Minas em 1972. Não se compreende a ausência de uma estratégia conjunta dos poderes locais na conjugação de esforços para que aquele espaço possa ser repensado e utilizado, preservando memórias, mas adaptado às exigências e necessidades do presente. É desolador arriscar uma visita às antigas minas e ali encontrar o vazio de iniciativas e acções que poderiam revitalizar o espaço envolvente e o Cavalete do Poço de S. Vicente, esse objecto raro na arqueologia mineira em Portugal, mesmo assim imponente e soberanamente nobre. É importante que os jovens de hoje possam aceder, de forma segura e multifacetada ao passado que moldou a sua própria terra.

Tendo em conta este cenário, encontra-se em fase de criação um movimento cívico em defesa do referido Cavalete enquanto símbolo de inegável valor para a história do património industrial português, já reconhecido pelo IPPAR como “imóvel de interesse público em vias de classificação”.

O movimento propõe-se:
- Recolher, tratar e divulgar testemunhos orais sobre a actividade mineira;
- Promover sessões públicas de sensibilização para a preservação do património mineiro, tanto no que diz respeito à classificação efectiva do Cavalete do Poço de S. Vicente pelo IPPAR, como na definitiva criação de um verdadeiro museu mineiro que dignifique as gerações passadas e orgulhe as futuras;
- Fomentar o interesse e o gosto pela descoberta da realidade mineira nas crianças e nos jovens das escolas de Gondomar, no âmbito da ligação escola/meio preconizada pela Lei de Bases do Sistema Educativo.